Descrição

Em Paradela fica uma das estações da linha do Vouga, hoje desativada, mas que se constitui como uma das principais referências históricas da região. A linha do Vale do Vouga, mais conhecida como linha do Vouga e com a alcunha de linha do Vale das Voltas, em alusão ao seu traçado sinuoso, era um troço ferroviário que ligava a linha do Norte à linha do Dão, numa extensão de 140 km. Começou a ser planeada em 1877 com o objetivo de escoar a abundante produção agrícola do vale do Vouga para o grande Porto, e foi finalmente inaugurada a 5 de fevereiro de 1914, estabelecendo a ansiada ligação ferroviária entre Espinho e Viseu. As primeiras composições que serviam a linha do Vouga eram locomotivas a vapor, com vagões e carruagens de madeira. Mais tarde, a linha era servida por automotoras, situação que se manteve até à sua desativação em 1990 (entre Sernada do Vouga e Viseu). Fica na memória como uma das mais belas linhas ferroviárias de Portugal, subindo do litoral para a serra num périplo de curvas, túneis e pontes, cortando vales e montes de um verde luxuriante na sua ascensão.

Ecopista do Vale do Vouga

Património Histórico

A ecopista do Vale do Vouga é uma ciclovia que acompanha o antigo traçado da linha do Vouga; com início no lugar da Foz, a ecopista tem mais de 10 km, seguindo sempre paralela ao rio Vouga e à EN16. Passa o edifício da antiga estação de Paradela (hoje recuperada e transformada em eco-café e serviço de apoio aos utilizadores da pista), e continua até aos limites do concelho com Oliveira de Frades, em Fontelas. Esta ciclovia atravessa, no seu percurso, 5 túneis e a majestosa ponte do Poço de Santiago.

Esquilo
Linha do Vouga transformada em ecopista
Sapo-parteiro

Património Natural

Este troço da linha do Vouga, hoje convertido em ecopista atravessa, entre o lugar da Foz e Paradela, o Sítio de Importância Comunitária (SIC) do rio Vouga e é, por isso, um local de excelência para a observação da biodiversidade deste rio. Junto à ponte do Poço de Santiago, destaque para os peixes migradores como o sável, a savelha, a lampreia-marinha e a enguia; nas encostas junto ao Vouga são frequentes o loureiro e o medronheiro, aparecendo também o folhado e o sobreiro, constituindo um cortejo de árvores termófilas de folha perene que acompanham o Vale do Vouga. Nestas florestas, observam-se com facilidade esquilos e pica-paus. Debaixo das pedras maiores podemos, por vezes, encontrar o curioso sapo-parteiro e, nos céus do vale do Vouga, a águia-de-asa-redonda é uma presença assídua. Junto ao rio, a borboleta protegida fritilária-dos-lameiros é abundante.

Fritilária-dos-lameiros
Medronheiro
Estação de Paradela